Competitividade ao extremo

Doping no Ciclismo

Há algumas semanas atrás consegui o meu primeiro recorde de percurso, no ciclismo de montanha (king of mountain (KOM)). Foi divertido, teve resenha, mas sem deslumbre, afinal isso não é o foco do pedal! Todo ciclista karniça* sabe que nossa prioridade é cooperar em vez de competir e ampliar o espaço do ciclismo na sociedade.

Mas a competição pode levar a falta de ética, levando os oponentes a usar de má-fé contra o outro ou para se dar bem. E de competitividade à competição a passagem poder ser rápida, basta lembrar troca de farpas entre Henrique Avancini e Nino Shutter, no início da temporada 2019. Mas o pior da competição foi apresentado no ano passado pelo colunista de ciclismo Cristian Drumond (Segredos do Montain Bike, SMB) ao coletar informação de que ciclistas estão usando substâncias químicas proibidas para conseguir recordes de percurso (KOM).

Comecei a ficar atento ao noticiário sobre o tema, pois é cada vez mais frequente os casos no esporte e principalmente no ciclismo. Basta lembrarmos que um dos maiores escândalos de dopping aconteceu justamente em nosso esporte, o caso Lance Armstrong – famoso por ganhar sete vezes a Volta da França – e teve inclusive devolução de medalha olímpica por seu companheiro de equipe. Nesse caso, os depoimentos apontam que toda a equipe dos correios dos EUA usavam substâncias proibidas e que isso é corriqueiro no ciclismo.

Essas histórias são uma grande decepção, por isso quis pesquisar e ouvir depoimentos dos atletas. Eles desvelam o cotidiano do atleta de elite que, pressionado por resultados, e num contexto de pouca fiscalização terminam usando substâncias químicas proibidas. A pesquisa mostrou que esta questão não fica apenas entre as equipes internacionais e as grandes provas do ciclismo de estrada, está no Brasil, no MTB e alguns jornalistas esportivos acusam a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) de fazer vistas grossas para o problema. Inclusive já tivemos um caso de ciclistas que quase foi a óbito por conta do uso destas substância. (falaremos disso depois…)

No início deste mês a União Ciclista Internacional (UCI) ameaçou suspender o Brasil por conta dos vários casos de dopping no ciclismo de estrada nacional. Na etapa no brasileiro master de ciclismo de estrada, que aconteceu no dia 28 de Julho, em razão da presença de fiscalização antidoping, o segundo e quarto lugar da competição não apareceram no pódio, fugindo de uma possível coleta.

Os tempos são sombrios para o ciclismo, principalmente o de estrada que paga as melhores premiações. Ao se persistir essa lógica de uso cotidiano de substâncias proibidas, caríssimas inclusive, a deslealdade tende a prevalecer entre os concorrentes. E o pior ainda foi alertado pelo Vlog Pra quem Pedala que faz uma crítica ao uso indiscriminado destas substâncias, inclusive entre os atletas amadores. Qual o sentido de um amador, que não vive do esporte, se dopar? Ficou tão banal o uso de esteroides, testosterona, transfusão de sangue e outros que dá para acreditar em gente usando no cotidiano, para superar os colegas no treino!

Mais cooperação, menos competição… Mais honestidade também no esporte, por favor!

Tarcísio Botelho é ciclista karniça e Bike Anjo

https://www.facebook.com/bikeanjovalenca/


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